Se conhecer é diferente de se julgar
Tem gente que lista os próprios defeitos de cor, mas trava quando alguém pergunta do que gosta em si. Esse desequilíbrio tem história. Na terapia, a gente olha para ela com curiosidade, sem tribunal.
O julgamento chega pronto. O conhecimento faz perguntas.
A voz crítica costuma ser rápida: "eu sou assim mesmo", "eu não dou conta", "fulano faz melhor". Ela repete a mesma sentença há anos e nunca parou para conferir de onde tirou tanta certeza.
Se conhecer é o caminho contrário. É parar diante dessa voz e perguntar se ela fala a verdade ou se só fala alto.
Se julgar
- Chega rápido, com veredito pronto.
- Repete as mesmas frases há anos.
- Só enxerga o que confirma a sentença.
- Encerra o assunto antes da conversa começar.
Se conhecer
- Pede pausa e um pouco de coragem.
- Quer saber de onde veio cada frase.
- Aceita descobrir coisas boas também.
- Abre espaço para escolher, em vez de só reagir.
De onde você aprendeu a se olhar desse jeito?
Essa é uma pergunta que eu faço muito no consultório. A resposta quase sempre aponta para trás: uma comparação que se repetia em casa, um elogio que só vinha junto com a nota boa, um apelido que colou. A Terapia do Esquema chama isso de padrão aprendido. Eu gosto de chamar de história. E história dá para reler.
Quem é você quando ninguém está precisando de nada?
Duas frases que escuto com frequência no consultório: "não sei quem eu sou fora do trabalho" e "sempre fui a forte da família, não aprendi a pedir ajuda".
A identidade vai ficando colada nos papéis. O cargo. O cuidado com os outros. A fama de quem resolve tudo. Funciona por um tempo. Aí o papel muda, porque um filho sai de casa, um trabalho acaba, o corpo pede pausa, e fica uma sensação estranha de não saber o que sobrou.
Na terapia, a gente explora esse território com calma: o que é seu de verdade, o que foi jeito de se proteger, o que você só carrega porque ninguém nunca perguntou se você queria carregar. Não se trata de desmontar quem você é. É conhecer as peças antes de decidir o que fica.
Construir consciência antes da mudança
É assim que eu resumo o processo. Primeiro a gente entende o padrão: o que essa autocrítica tenta proteger, em que situações ela aparece, quanto ela custa. Só depois faz sentido testar jeitos novos de se tratar. Mudança sem consciência vira aposta na força de vontade, e força de vontade sozinha cansa.
Trabalho com TCC e Terapia do Esquema, sem ficar presa à técnica. Tem paciente que se dá bem com registro, exercício, o famoso caderninho. Tem paciente que não, e aí não adianta insistir numa ferramenta que não vai surtir efeito. É o atendimento que se ajeita a você.
Esse jeito de se tratar ainda faz sentido hoje?
Não prometo atalho, porque seria desonesto. O que eu ofereço é um espaço protegido para fazer, com companhia, as perguntas que o dia a dia não deixa fazer.
Perguntas que costumam chegar antes da primeira sessão
Trabalhar autoestima é aprender a pensar positivo?
Não. Repetir frase boa por cima de uma crença antiga costuma não surtir efeito: a crença continua lá, intacta. O caminho que eu proponho é outro: entender de onde esse jeito de se ver veio e o que mantém ele vivo hoje. Autoestima que se sustenta nasce de conhecimento, não de slogan.
Preciso estar mal para começar terapia?
Não. Autoconhecimento é motivo legítimo para começar. Muita gente chega bem por fora e cansada por dentro, ou só com a sensação de viver no automático.
Quanto tempo leva?
Cada pessoa tem um ritmo, e eu prefiro ser honesta a inventar prazo. O que a gente faz é revisitar os objetivos juntos ao longo do caminho, para o processo continuar fazendo sentido para você.
Como funciona o atendimento?
Sessões individuais de 50 minutos, normalmente semanais. Atendo adultos e idosos, presencial em Maceió e online. O sigilo é o mesmo nos dois formatos. Os detalhes estão na página como funciona.
Qual o valor da sessão?
Eu informo no primeiro contato pelo WhatsApp, sem compromisso. Assim você pergunta o que quiser e decide com calma.
Quer começar por uma conversa?
Se algo aqui fez sentido, o primeiro passo é uma mensagem. Eu mesma respondo, a gente se apresenta e você decide no seu tempo.
Ana Hercília